Glória Silva provou do veneno das redes sociais e reforçou a sua convicção política

Glória Silva, 52 anos, Solicitadora por paixão e vocação. Vive de braços abertos para ajudar o outro, quer seja na sua vida profissional que constrói em ascensão há mais de duas décadas, quer seja na comunidade onde se entrega de corpo e alma à Associação dos Artesãos do Marco e na política, onde atualmente, dedica parte do seu tempo na Assembleia Municipal do Marco de Canaveses, como segunda Secretária da Mesa, e enquanto presidente da Mesa da Assembleia da sua Freguesia – Vila Boa de Quires e Maureles.

É mulher, mãe, filha, irmã e amiga de mão cheia. À sua volta não há tristezas e quando há problemas ela logo arranja solução. Numa vida tão preenchida, é a sua organização que permite estar inteira em tudo o que se propõe. “Eu preparo o meu dia à noite. Depois de um dia de trabalho, em casa, olho a minha agenda e sei o que vou fazer no dia seguinte, sendo que o primeiro telefonema do dia é sempre o mesmo, para o meu filho. A partir daí é trabalhar. Sou uma mulher de trabalho”, afirma numa conversa que podia ter acontecido há 4 meses, mas que a vida pediu uma pausa. À Glória e a mim, coincidentemente. E que bom que foi passar estes meses num ritmo mais desacelarado ao seu lado. Percebi, bem de perto, como a Glória se dá aos outros sem pensar em nada em troca.

O último ano para esta mulher foi um desafio, o trabalho sempre em crescendo, a Associação de Artesãos do Marco com uma atividade anual muito preenchida, a cumprir os objetivos a que se propõe, e as eleições Autárquicas em 2025 que trouxeram o sabor do veneno das redes sociais. Isto acontece sempre a quem está mais exposto, a quem faz acontecer e não passa o tempo atrás de um teclado a “cuspir veneno” como acabaram por fazer com ela. Ataques à imagem, à vida profissional e a tudo o que pudesse enfraquecer. Esqueceram-se, esses pouco corajosos, que não se enfraquece uma Mulher como a Glória Silva, só lhe deram mais força e vontade de ganhar e cumprir os objetivos a que se propunha. E ganhou. A luta foi difícil, ler comentários sobre o seu corpo, sobre a sua idoneidade e sobre o seu Ser foi difícil, mas superável, ao ponto de hoje agradecer o incentivo. Porque transformou veneno e cobardia de uns em força e coragem para seguir em frente.

“Assusta-me o ser misógino. Assusta-me porque a mulher quando é posta num lugar político é sempre muito mais atacada que um homem, porque é uma realidade. Não posso dizer que gostei de ler e ver as publicações que fizeram de mim, dos nomes que me chamaram, mas também posso dizer que sei de pessoas que fizeram essas publicações e lido bem com elas sem que elas saibam que eu sei. E isso deu-me mais força, agradeço-lhes o que fizeram porque sei que me deram mais vontade para continuar na política”.

Glória Silva teve a capacidade de transformar o ódio em força, mas nem todas as pessoas têm essa capacidade e é por isso que os ataques nas redes sociais se tem tornado tão preocupantes. Qual o impacto que tem numa pessoa que não consegue transformar o ódio em força? O impacto que os cobardes que se escondem atrás de perfis falsos querem, tornar a pessoa mais frágil e, se possível, fazendo com que a pessoa desista. E a Glória é a prova da resistência e a inspiração para outras pessoas que são atacadas porque decidiram querer contribuir para a comunidade. Porque fazer política é isso mesmo, é trabalhar para as populações. E a política precisa de pessoas que se queiram doar, que tirem do seu tempo profissional e pessoal para melhorar a vida dos outros. Já dizia o Presidente da República, José António Seguro, “A política se não for para melhorar a vida das pessoas, a política não serve para nada”.

Para Glória Silva a entrada da extrema-direita no nosso país, que é uma onda em todo o mundo, acontece por culpa dos partidos tradicionais que através de erros consecutivos deixaram a população descontente. “O discurso de ódio que vemos no partido da extrema-direita em Portugal e a sua ascensão deve-se aos partidos tradicionais, e que estiveram no poder, que cometeram erros e deixaram as pessoas insatisfeitas e até revoltadas com comportamentos pouco recomendáveis. Atualmente é difícil estar na política porque nos acusam logo de sermos desonestos, aproveitadores e, nós, com vidas profissionais consolidadas, temos de pensar se vamos colocar em causa o que já construímos. Óbvio que quem está pelas boas razões, deixa os medos de lado e vai em frente, sem nada a temer”.

O facto do discurso de ódio entre as minorias aumentar é o resultado, também, segundo Glória Silva, de um “quase abandono da juventude, que hoje acredita que um imigrante lhe vem tirar um lugar na sociedade. Não é verdade e somos nós que temos de desmistificar isso. Somos um povo de emigração, o mundo só tem fronteiras terrestres, não para viver a vida. O mundo está aberto a todos nós, e o nosso país tem de estar aberto a quem escolhe viver e trabalhar cá. Obviamente que a entrada dos imigrantes tem de ser controlada, da mesma forma que somos controlados para entrar noutro sítio do mundo. Com regras, todos podemos viver onde quisermos”.

Pelo Marco, a Glória vai continuar o trabalho dedicado na Associação de Artesãos, a cumprir os objetivos de ter 20 carteiras de Artesão em 2026, a proporcionarem experiências à comunidade através de workshops, feiras de artesanato, a promover como só eles sabem as nossas raízes. E, certamente, vai levar a bom porto os trabalhos nas devidas Assembleias Municipais onde está presente, com seriedade e dedicação.

E são por mulheres desta fibra que tantas outras se inspiram e conseguem subir mais um degrau na sua vida, nas suas lutas. É de mulheres que fazem acontecer que outras mulheres precisam de ver e conhecer para poder ter a força para avançar. É de Glória(s) Silva que o mundo precisa mais, e muito menos de mentes enfadonhas atrás de teclados a contribuir zero para a sociedade.


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