Durante alguns meses emergi no fervor das eleições autárquicas de 2025 no meu concelho, na minha terra, o meu Marco. Não sendo a primeira vez, nestas vivi de perto, como nunca antes, uma campanha política, observei muitos comportamentos e posicionei-me perante muitos.
A certeza maior é que na política, tal como no desporto, vive-se de paixões, de amores e desamores, de partilha e de egoísmo, de guerra e muito pouca paz.
A política é vivida ao máximo por todos que nela se incluem, por motivos diversos e objetivos que, em alguma parte do caminho, se encontram, pelo menos é a esperança com que fico no pós ato eleitoral. Continuo a acreditar que todos, no mais básico e elementar objetivo, querem o melhor para a sua terra, orientados pelos valores da integridade, honestidade e solidariedade.
Mas é no mais elementar objetivo, porque há muito mais neste mundo construído de camadas. Umas mais saborosas do que outras. Se se tratasse de um bolo, assemelhava-se ao Bolo mármore, várias camadas e diferentes cores.
E nos tempos atuais, das redes sociais, adicionaria um recheio extra: o heroísmo atrás de um teclado, que é como quem diz, os que usam os perfis falsos e anónimos para destilar ódio, discórdia e guerra pura.
Exaltam-se os ânimos, as conversas e acima de tudo a falta de caráter. Tudo se extrapola menos o caráter, porque na prática, ou se tem ou não se tem, e quem não tem demonstra-o nas alturas de maior tensão. Escondem-se para se sentirem maiores, poderosos, donos de alguma coisa que os eleva perante os outros. E perante as mulheres então é um “fartote”. São incluídas pelas cotas impostas, mas quase sempre em lugares irrelevantes. Mas há as que não vergam, as que não desistem e superam os lugares cimeiros. E que orgulho tenho nessas com que me cruzei e lutei por elas. E vou continuar a lutar, porque são exemplo para mim e para tantas outras. Somos capazes e vamos conseguir o nosso lugar no meio de tanta misoginia. Ah, se vamos!!
E vamos ao rescaldo desse antro de histórias, conspirações e teorias sobre tudo e coisa nenhuma que saltaram como pipocas nos grupos de Facebook para que se espalhassem com a rapidez de um estalar de dedos. Foram muitas as que diariamente surgiam camufladas ou até caricaturizadas, houve de tudo, e eu também lá fui parar. Muitas teorias e todas ao lado, porque na era das redes sociais tudo se lança e pouco se confirma. A desinformação proliferam e os mais distraídos, desinformados aceitam como sendo verdades.
E foi assim, durante meses, que vimos as conversas de pura maledicência a fervilhar. Mas eis que o dia 12 de outubro chega, o povo decide, e esses heróis de meses desaparecem.
Esses e os que durante os mesmos meses gritaram liberdade, democracia e muito poucos projetos concretos para solução aos problemas apontados. Candidaturas cheias de tudo que após a derrota não só se esvaziaram repentinamente como se passaram, ao momento deste texto, 12 dias, e nem vê-los, qual D. Sebastião perdido no meio do nevoeiro.
E isto não é um mero calendário de ausência ou reflexão, é exatamente o reflexo do que os seus ditos projetos tinham para solução: nada, nevoeiro, escuridão.
E chegam as tomadas de posse, umas mais felizes que outras, umas mais serenas do que outras, e a democracia a funcionar em pleno: decidiu o povo. A Democracia continua a ser o sistema mais justo, onde uns ganham, outros perdem, e onde o povo ganha sempre.
Serão mais quatro anos que se esperam de trabalho em prol do desenvolvimento das suas terras, porque as autárquicas são as mais próximas do povo, das necessidades prementes, do que nos causa dor diariamente. Dor e alegria, porque a vida continua e é tempo de se trabalhar um pouco mais por cada um de nós.
E na passagem para outra dimensão de um Senhor maior da democracia, Francisco Pinto Balsemão, relembra-se o seu pensamento que fica para a eternidade dos seus e de quem viveu a liberdade que ajudou a construir: a obrigação do Homem é deixar o mundo melhor.
E vamos ver quem arregaça as mangas e constrói em prol do mundo, ou quem esperará, mais uma vez, o tempo da votação para erguer soluções. Vamos perceber quem veio para fazer diferente ou quem veio para se servir do meio que lhe colocaram em mãos.