José Carlos Barbosa traça linha do poder local à política nacional 

José Carlos Barbosa está desde tenra idade na política local a partir da freguesia de Beire, em Paredes, onde todos o viram crescer.

Filho de “empregada doméstica e eletricista”, aproveitou o que o estado social lhe podia dar e apanhou cedo o comboio para as oficinas da CP, através do curso profissional de eletromecânica, lecionado pela empresa que formaria a partir dali um futuro engenheiro e diretor executivo da Unidade de Manutenção e Engenharia da CP – Comboios de Portugal.

Há 20 anos acreditou que a sua freguesia precisava de mudança política e arrastou os amigos da escola para uma lista que, apesar de não ter vencido, foi oposição forte, quando poucos acreditavam nos jovens. Nessa altura sonhava com o campo de futebol sintético do Grupo Desportivo Recreativo e Cultural de S. Luiz de Beire que hoje, presidente da freguesia ganha à terceira tentativa, vê concretizado. 

José Carlos Barbosa não desistiu da sua freguesia, mas pelo meio sentiu a necessidade de investir na sua carreira profissional, estando de forma mais intermitente na política, até que em 2013 voltou a focar-se e foi em 2017 que conseguiu vencer e trabalhar de forma direta na freguesia que o viu crescer.

Foi na última legislatura deputado da Assembleia da República e entra na campanha para as legislativas 2025 em lugar elegível pelo Partido Socialista. E embora sinta orgulho e responsabilidade pelo cargo político nacional, podendo ajudar a levar à Assembleia, temas importantes para a região, é o cargo de Presidente de Junta que lhe dá mais prazer. Trabalhar e fazer a diferença para as pessoas da sua terra, deixa José Carlos Barbosa “super realizado”. Para o atual presidente de junta da freguesia de Beire, o poder local ainda é “o parente pobre da política”, mas o que mais diferença faz na vida de cada um dos fregueses. “Eu costumo dizer que gerir uma freguesia é como gerir um condomínio. Há um prédio onde tem muitos apartamentos, precisa de obras, mas não há dinheiro para as fazer. As juntas de freguesias são isso, muitos buracos, muitas obras necessárias, mas pouco dinheiro para as concretizar”.

Os valores e ideais políticos são, claramente, de esquerda e assume que os tempos que correm “são assustadores para a liberdade, igualdade e respeito pelo próximo”. “O extremismo vai ser cada vez maior e temos de ter a capacidade de combater a desinformação que prolifera”, assumindo que as redes sociais passaram a ser um canal para passar informação “certa, direta às pessoas e que desmonte muito do que os extremistas querem passar para a sociedade”.

José Carlos Barbosa não tem dúvidas que os seus ideais de esquerda foram também absorvidos pela convivência entre os ferroviários, que no tempo em que entrou na CP “tinham muitos sindicatos de esquerda a lutar pela melhoria de condições de trabalho e de vida dos trabalhadores”. Facto que hoje não é igual. “Hoje em dia vejo muitos ferroviários com discursos de direita e extrema direita porque, claramente, não conhecem a história do ferroviário”.

Acredita que falar do passado e do que o estado social dá à sociedade devia ser a forma de explicar aos mais jovens o que é a esquerda e o socialismo, e o que todos ganham com ideais baseados em equilíbrio “da balança”. “Se explicarmos que a esquerda está do lado da classe média e dos mais desfavorecidos, conseguimos mostrar que o socialismo quer puxar pelos mais pobres, trazendo-os para a classe média, com a distribuição de riqueza, por quem tem o maior poder económico, tornando a população mais equilibrada e não com polos tão opostos, entre ricos e pobres”.

Em vésperas de iniciar mais uma campanha na rua pelos valores que o norteiam, José Carlos Barbosa assume que “os tempos são difíceis, mas é por essa razão que vamos lutar por todos, por um país livre e mais igualitário”.