Da formação clássica ao pagode que alegra cada um que se junta ao Sambinha do Zé

Dois jovens músicos de formação clássica juntos no centro da Europa para formar o Sambinha do Zé.

José Afonso e Fernando José rumaram a Leipzig, na Alemanha, para continuar a formação musical clássica e foi o gosto pela música brasileira que os uniu. Apesar de ser “Zé Nando” o brasileiro, foi o português “Zé Afonso” que procurou a música brasileira no companheiro que ia chegar à orquestra, e pouco tempo depois já estavam a criar o projeto que hoje anima o Vale do Sousa e já norte do país.

Sonham com o reconhecimento nacional, mas pretendem conquistar um a um dos que se juntam para assistir a um concerto do Sambinha do Zé. “Gostamos muito desta forma como estamos a conquistar as pessoas. Do contacto direto e próximo a cada concerto. Porque queremos que seja um crescimento gradual e consistente. Não queremos ter tudo de uma vez, os 15 minutos de fama e depois perdermos o que conquistamos. Queremos ir passo a passo, conquistando cada um que chega até nós”.

A formação clássica estava no caminho destes dois jovens que por muito tempo tiveram de lidar com o “preconceito” de passar para a música popular brasileira, mas o gosto pela música que os unia falou mais alto. Não deixaram para trás os artistas clássicos, mas abraçaram os compositores e músicos do samba, que também unem Portugal e Brasil nas suas letras, por vezes, melancólicas e tristes, como o Fado.

Querem juntar as culturas e fazer dessa amizade que os une, bem como os países de origem, uma missão para os tempos que se atravessam. “É importante juntar as culturas e o bom disto é que eu posso cantar numa determinada altura com o português do Brasil como voltar ao português de Portugal e está tudo certo”, assume José Afonso que tem a vontade de juntar o Fado ao Samba, num registo inovador.

Fernando José traz na bagagem a escola do samba, mas assume a beleza de juntar os ritmos portugueses e criarem algo novo, como tem sido possível verificar nos originais do Sambinha do Zé. “Semana que vem” é o primeiro tema do grupo e mostra o registo de pagode com que se identificam, mas é no “Azul dos Olhos”, segundo tema original, que confluem os ritmos brasileiros com os portugueses.

Os covers, esses sempre vão continuar nos espetáculos do Sambinha do Zé porque são os temas que unem todas as gerações presentes. “Sempre vamos querer os covers porque são os temas que nos aproximam de todos, ou porque são clássicos da música brasileira, ou porque são os mais recentes a chamar pelos mais novos”. E há temas tão antigos presentes no alinhamento do espetáculo que chegam a ter mais idade que os próprios músicos, o que torna o ambiente tão mais familiar e unido como eles desejam.

E com o verão à porta e as festas a começar, o Sambinha do Zé vai estar em muitas localidades da região, mas também, como desejam, em outras regiões do Norte e Centro de Portugal, acompanhados pelos companheiros de viagem e palco “muito malandros”, mas muito comprometidos com o projeto. “São um grupo de pessoas muito focadas e que gostam de trabalhar connosco, por isso estamos no ponto certo”

Como mensagem global do projeto, Fernando José e José Afonso querem sublinhar o objetivo comum do grupo que é unir as culturas num mundo cheio de desafios. “As culturas têm que se mesclar, a gente tem que aceitar o outro e o Sambinha do Zé tem esse propósito, a gente mostrar que entre Brasil e Portugal não tem inimigo, não tem como haver diferenças, para podermos enfrentar esses desafios que nos chegam, com muitos brasileiros a chegarem a Portugal, e aceitarmos todos. Todo o mundo é bem-vindo basta que queira fazer parte. A proposta do Sambinha do Zé é isso mesmo, mostrar que as culturas podem se dialogar, e a gente pode crescer junto enquanto sociedade e a viver junto em comunidade”.

Se chegaram até aqui e já conhecem um pouco destes talentos, decorem este nome, Sambinha do Zé, vão dar muito que falar.