Beatriz Pinto é navegadora de ralis e já com alguma experiência no Todo o Terreno. Foi em 2015 que se estreou e 10 anos depois está a competir no Campeonato Europeu de Ralis (FIA European Rally Championship), ao lado de Kevin Saraiva. A única dupla portuguesa em prova na competição.
No meio dos ralis é conhecida por Bia e todos lhe reconhecem o sorriso fácil, a frontalidade e boa disposição.
Trocou a moda pelos ralis, mas antes já tinha trocado o ballet clássico pela dança contemporânea. O desporto sempre lhe correu nas veias, como agora sabe que a adrenalina dos ralis viverá para sempre.
Já navegou pilotos jovens outros com mais experiência, mas parte para todos da mesma forma “do zero. Estudo cada piloto porque todos são diferentes, todos têm objetivos diferentes e eu tenho de acompanhar os objetivos da equipa”.
Atualmente a fazer dupla com o jovem Kevin Saraiva, Bia mostra-se entusiasmada com a competição europeia. “É tudo diferente, mesmo sendo ao mesmo tempo igual. Estamos a aprender tudo de novo, todos estamos a aprender, ninguém está em patamares diferentes quando chega a uma prova, todos somos tratados de forma igual”. E é nesta igualdade que Bia encontra a motivação para se superar já que o nível de competição é muito superior ao nacional. “Começa logo pelo promotor, que nos impõe uma forma de comunicar. Sabemos que precisamos de comunicar para sermos vistos, mas estamos todos com a mesma obrigação”. Apesar de não ser muito “fã” das redes sociais, entende a importância das mesmas na comunicação dos ralis, dos patrocinadores e por isso pensa mais ao pormenor. “Aqui em Portugal precisamos de pensar a comunicação como lá fora, nós não conseguimos montar um projeto sem os apoios dos patrocínios, por isso temos de lutar por uma comunicação mais eficaz. Não se entende como em Portugal os ralis não têm destaque nos órgãos de comunicação social com tantos adeptos. Depois do futebol, somos a modalidade com mais gente a assistir a cada rali e continuamos sem estar nos meios nacionais”.
Para Beatriz Pinto, os ralis são metade da sua vida, sendo que a outra metade, na vida profissional, o caminho cruza-se. Trabalha numa empresa de serviços e produtos do Motorsport e por isso convive dentro e fora dos troços com as equipas.
“Tenho muita sorte com os meus colegas de trabalho, para além de entenderem o meu mundo, também me ajudam a preparar a minha imagem”. E não se julgue que a Bia deixa o seu lado feminino de lado, ela é sinónimo de purpurinas. “É fácil entenderem que é a minha cara, prateados, dourados e “purpurinicos” é a cara da Bia, dizem logo os meus colegas”.
E a verdade é que a purpurina chega a ser o seu amuleto. “Tenho um laço de purpurinas que todos sabem que tem de estar no carro. É o meu amuleto, o meu mecânico já me descansou e contou que encontraram o laço que ficou perdido no acidente da primeira prova no europeu. Está tudo certo para regressar”.
Só não regressam na segunda aprova do campeonato porque Kevin Saraiva ainda não tem alta médica, mas já preparam, da forma que podem, o regresso ao europeu. “Vai ser um ano desafiante, difícil para acompanhar pilotos que fazem disto vida, em que acordam e vão treinar, ao contrário de nós que conciliamos as nossas vidas profissionais, escola e tudo mais”.
Percebeu desde cedo que entrar num mundo de homens não seria fácil, mas também não quer facilitismo para preencher números. “Sou contra os movimentos das mulheres, onde tudo tem de ter mulheres para ficar bem e não pelo valor de cada uma. Julguem-me, mas eu quero estar por ser a Beatriz, por merecer aquele lugar e não para ocupar número de ter mulheres para o marketing”.
Sabe ainda que as dificuldades para se manterem no europeu são conhecidas por ambos, mas a ambição não os faz desistir e Bia já aponta outros voos. “Queremos continuar a evoluir e o mundial é o nosso foco. Pode demorar, mas queremos e vamos lá chegar”.
É esta garra e foco que todos reconhecem nesta jovem navegadora, que já conta com 10 anos de navegação, e que parte de Marco de Canaveses para o mundo. Por agora, no europeu.


