Na segunda parte da conversa com Nelson Oliveira os temas não deixaram a juventude de lado, pelo contrário, é através deles que tem vindo a desenvolver outras iniciativas que farão a diferença não só em Lousada, mas no país e no mundo.
É o caso da iniciativa na área da saúde o “Prémio Dr. Mário Fonseca” que surge através de uma outra iniciativa, “Mentes Brilhantes”, que na sua primeira edição juntou uma jovem Lousadense, investigadora científica, Doutora Flávia Sousa e o reconhecido médico Doutor Manuel Sobrinho Simões que partilharam a dificuldade dos investigadores portugueses dada a falta de recursos financeiros. Nelson Oliveira curioso sobre o assunto pesquisou e percebeu que as bolsas de apoio aos investigadores começavam em valores tão baixos que pouco dariam para os mesmos colocarem o seu tempo e necessidades da investigação em prática. Foi através daí que surgiu o prémio que hoje, já com apoio do setor privado, está a permitir que investigadores de Lousada e mesmo nacionais possam candidatar-se com os seus projetos e puderem contribuir para o desenvolvimento da medicina. O projeto vencedor em 2024 pertence à Doutora Sandra Tavares, no meio de 50 inscrições. Para o autarca, o objetivo é que se possa aumentar mais o apoio e para mais investigadores e que “daqui a 30 anos seja um projeto de absoluta referência na área da investigação, porque não interessa quem o criou, mas o que dele surgiu para o bem de todos nós”.
Ainda na área da saúde, Nelson Oliveira entende que a aposta nos serviços de saúde primária é “essencial e estratégico. Nós pretendemos criar mais equipamentos e melhores, mas não só porque queremos fazer obra, mas porque sabemos que a população necessita destes recursos”. Os cuidados primários na saúde são a base para a prevenção na saúde, para a proximidade com os utentes e para uma população mais saudável, e por isso são quatro os centros de saúde que estão em construção para melhorar o acesso aos cuidados primários no concelho. Mas é também objetivo descentralizar algumas especialidades e trazer para junto da população serviços que, em muitos casos, ainda são vistos com tabu, com “vergonha” e trazer esses profissionais para junto da comunidade “tem sido essencial para que se sintam acompanhados e protegidos”. Falamos do caso da Saúde Mental, onde numa coordenação com o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa foi possível tirar os profissionais de saúde do hospital e trazê-los para junto da comunidade, deixando-os mais tranquilos, sem olhares envergonhados e acompanhados num processo que também exige uma proteção mais cuidada. O facto de os utentes puderem ir à Junta de Freguesia e receberem a consulta, como se fossem tratar de uma outra situação, sem que haja “um estigma associado”, tem levado mais pessoas à procura de ajuda e acompanhamento.
Mas nada está individualizado e conhecer um município e as suas necessidades também leva a áreas que une todos os outros serviços e que Lousada, à semelhanças de todos os outros municípios, também sente as suas falhas. A mobilidade é uma área que apresenta dificuldades, não há um serviço permanente que apoie a mobilidade pública, os transportes não correspondem às necessidades das pessoas, e por isso, Nelson Oliveira tem vindo a dar a cara por essa causa, lembrando que apesar de haver as necessidades identificadas há muito, a criação e reforço da rede não tem uma solução fácil nem rápida, porque a lei e as suas burocracias inerentes assim o exigem. “Quem disser, prometer que vai disponibilizar linhas de transporte públicas ou de agentes privados está a mentir, não pode, é falso e ilegal”. A competência está sob a alçada da CIM pelo que cabe ao executivo de Lousada pressionar para conseguir acelerar o processo da criação de novas linhas e de forma integrada com a área metropolitana do Porto.
E chegando à Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa a pergunta era inevitável: em 12 municípios, uma única mulher Presidente de Câmara, o que está a faltar/falhar na política para que as mulheres possam estar, ser escolhidas e exercerem com as mesmas condições os cargos políticos?
Nelson Oliveira não tem dúvidas que tem de haver primeiro uma predisposição natural das pessoas para estarem disponíveis para a causa pública, no entanto, assume que as condições para as mulheres ainda não são as mesmas que os homens têm, pela inerência das tarefas familiares que continuam a acumular e pela pressão da exposição na comunidade, facto que não é tão agressivo para os homens totalmente integrados na política.
Esta questão levou o autarca a explanar a situação da mulher na sociedade atual e a mostrar o seu repúdio pela perseguição, pela violência sobre a mulher e pelo aumento dos casos e a sua, quase, banalização que advém de discursos políticos que validam, aceitam e até ignoram o problema.
Mais mulheres na política em Lousada com a candidatura de Nelson Oliveira é a curiosidade que fica no ar, numa espécie de garantia do candidato para que haja novidades e com isso mais equidade.
Entrevista na íntegra a Nelson Oliveira no Spotify – https://open.spotify.com/episode/0tOwxTYuZBeKxrZx4SD6Xp?si=FeWorvUHRQGgDKMaomtQIA